Análise: o que diz a pesquisa eleitoral?

A mais recente pesquisa de intenção de votos divulgada por um veículo independente em Limeira coloca em evidência algumas questões interessantes. A pesquisa – feita pela Limite Consultoria e publicada no domingo (16/9) pelo jornal “Gazeta de Limeira” – foi a primeira a ser divulgada após o início da propaganda eleitoral no rádio e TV.

Uma dúvida que surge é: será que Lusenrique Quintal (PSD) atingiu seu teto? Ele manteve o mesmo índice de intenção de votos entre a primeira (no início de agosto) e a segunda pesquisas divulgadas pela “Gazeta”. Para alguns observadores da cena política limeirense, o fato é um sinal da alta – e histórica – rejeição ao candidato.

Registre-se que Eliseu Daniel dos Santos (DEM) e Kleber Leite (PTB) atingiram índices de rejeição semelhantes ao de Quintal.

Outra questão suscitada pela pesquisa é: embora não se possa atribuir o crescimento de Paulo Hadich (PSB) unicamente à propaganda eleitoral no rádio e TV, também não se pode reduzir o efeito do horário eleitoral no resultado.

Um entendido em questões políticas da cidade já tinha previsto, há mais de um ano, que a televisão exerceria papel importantíssimo na eleição. Chegou inclusive a citar um número: cerca de 80 mil eleitores definiriam seu voto pela propaganda eleitoral na TV.

Assim, Hadich se beneficia do maior tempo de propaganda entre os candidatos (com basicamente dois minutos a mais que Quintal, quatro em relação a Eliseu e seis a mais que Kleber) e da maior qualidade técnica e editorial do programa de TV (importante: esta análise não diz respeito ao mérito das propostas e sim à forma como elas são apresentadas).

Junte-se a isso também as produções de TV e rádio dos concorrentes, que deixam a desejar.

Há ainda que se considerar que Hadich, antes do início do horário eleitoral, era o candidato menos conhecido entre os quatro prefeituráveis (portanto, o que tinha mais campo para conquistar votos).

Registre-se, mais uma vez, que não se pode atribuir o crescimento do candidato do PSB exclusivamente à propaganda de TV, mas não se deve ignorar ou menosprezar os efeitos dela junto ao eleitorado.

Importante: faltam três semanas para o primeiro turno da eleição. Novas pesquisas vêm aí e mais um debate na TV Jornal, dia 2.

Da mesma forma que a campanha de Hadich enfrentou momentos de tensão (há quem tenha classificado de “crise”) após a divulgação da primeira pesquisa pela “Gazeta de Limeira”, no início de agosto, a nova pesquisa deve servir para que os candidatos reavaliem suas estratégias e reforcem o trabalho na tentativa de conquistar o voto do eleitor.

Ainda dá tempo e é para isso que as pesquisas devem servir.

Nova pesquisa já agita bastidores; resultados afetam campanhas

Vem aí mais uma pesquisa eleitoral. Sua realização foi registrada junto à Justiça Eleitoral, como determina a lei. Deve ser publicada entre sexta (17/8) e domingo pelo “Jornal de Limeira”.

A notícia da realização de uma pesquisa sempre agita os bastidores políticos. Deixa candidatos tensos, embora eles possam não admitir isto.

Em público, seja qual for o resultado, qualquer candidato sempre dirá que as pesquisas são um “retrato do momento”. Em privado, porém, sabe-se que elas costumam provocar reuniões de emergência e eventuais mudanças de rumo.

Se são apenas um “retrato do momento”, por que afinal as pesquisas são tão importantes?

A resposta envolve três elementos:

1) o resultado da pesquisa tem ligação direta com o financiamento das campanhas. Ou seja: a arrecadação de recursos tende a aumentar ou a diminuir conforme o desempenho do candidato;

2) o resultado da pesquisa tem ligação direta com a mobilização dos militantes. Desempenho bom significa injeção de ânimo; desempenho ruim significa “banho de água fria” (neste caso, a saída é transformar “um limão em uma limonada”, ou seja, usar um eventual resultado adverso para forçar a militância a trabalhar ainda mais);

3) o resultado da pesquisa pode ter efeito sobre os eleitores.

Isto somado, as pesquisas costumam ditar o rumo de muitas campanhas.

Em Limeira, a primeira pesquisa divulgada por um veículo independente, a do jornal “Gazeta de Limeira”, provocou discussões em pelo menos uma campanha. Houve questionamento interno sobre o resultado – até porque a cidade tem histórico de pesquisas com resultados suspeitos em eleições anteriores.

Agora, ante a iminência de uma nova pesquisa, já há quem tema o resultado. E não resta nada a fazer a não ser esperar pela divulgação.

Em tempo: aparecer na frente de uma pesquisa não é motivo só de comemoração. Além do candidato tornar-se alvo potencial dos adversários, há risco de desmobilização. É o tal do “já ganhou”. Não custa lembrar que, no Brasil, já teve candidato que sentou na cadeira de prefeito antes do tempo (Fernando Henrique Cardoso em 1985, em São Paulo) e perdeu a eleição.

Bastidores das campanhas se aquecem com pesquisa e debate

Os comentários cresceram esta semana nos bastidores políticos: Lusenrique Quintal (PSD) estaria cogitando uma vitória ainda no primeiro turno.

A questão é tratada no campo dos boatos, mas é fato: o candidato do PSD é o único que manifestou ao blog, com todas as letras, que acredita na possibilidade de vencer já no dia 7 de outubro.

O ex-prefeito Pedro Kühl (PSDB) – cabo eleitoral de Quintal – também tem manifestado em conversas pela cidade que aposta na vitória em primeiro turno. Aliás, para quem conhece o tucano, não se trata nem de aposta e sim de convicção mesmo.

Os demais candidatos, pelo que o blog ouviu, trabalham com a hipótese de segundo turno.

Com a proximidade do primeiro debate entre os candidatos a prefeito, marcado para a próxima terça-feira, às 20h, na TV Jornal, aumenta a tensão nos bastidores.

A proximidade da divulgação da primeira pesquisa eleitoral, já protocolada junto à Justiça Eleitoral, também acirra os ânimos. A pesquisa deve ser divulgada pelo jornal “Gazeta de Limeira”.

É certo que tanto o debate quanto a pesquisa marcarão o pontapé inicial da campanha, ainda tímida. Também é certo que todas as ações a partir de agora serão tomadas em razão do resultado da pesquisa e do debate.

Nos bastidores, pelo menos um candidato já admite mudar sua estratégia diante do possível resultado da pesquisa. E o debate de terça já deverá refletir isso.

Também nos bastidores, duas candidaturas mostraram-se um tanto preocupadas com o crescimento de um adversário específico. “Ele está muito forte na periferia”, afirmou um candidato.

Se não houvesse a inédita possibilidade de segundo turno em Limeira, era quase certo que este candidato, daqui por diante, viraria o alvo. Como há uma possível segunda vaga em disputa, a “flecha” pode mudar.

O certo é que, agora sim, o jogo promete esquentar.